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Orgias, drogas, masturbação e tortura psicológica: relatos dos assessores de Gabriel Monteiro à polícia

Funcionários disseram que mulheres choravam em festas afirmando terem sido estupradas; vereador preferiria menores de idade: ‘chamava de creche’ e se intitulava ‘hétero top’

Rio – Na última quarta-feira, dia 5, assessores e ex-funcionários do vereador Gabriel Monteiro (sem partido) compareceram à 42ªDP (Recreio dos Bandeirantes) e prestaram depoimentos.

No total de seis relatos, aos quais O DIA teve acesso, constam denúncias de estupro na casa do parlamentar, uso de drogas por parte de Monteiro, tortura psicológica e até o valor do lucro mensal com os vídeos do político-youtuber: R$300 mil. Todos os funcionários, sendo alguns contratados com dinheiro público para o gabinete de Monteiro na Câmara do Rio, afirmaram que somente trabalhavam para produção de vídeos nas redes sociais do vereador.

Sexo com menores e drogas: ‘brincava dizendo que iria abrir uma creche’

Um dos funcionários, que disse estar afastado pela psiquiatria após o trabalho com Monteiro, disse que o vereador sabia da menoridade da jovem de 15 anos que aparece em um vídeo íntimo, mantendo relações sexuais com o parlamentar. Segundo o depoimento, Monteiro ” tinha o hábito de fazer brincadeiras, dizendo que iria abrir uma creche”, já que era grande o número de menores que compareciam às festas. O vereador teria o costume de dizer que “mulheres de 20 e 21 anos de idade já seriam velhas”.
As festas, promovidas na casa de luxo do vereador na Barra da Tijuca, eram estilo “orgias” e as convidadas eram menores de idade. “Gabriel mantinha relações sexuais com as mesmas, sendo também comum o uso de drogas por ele e convidadas; “teve vezes que já cheguei lá na casa dele e encontrei ele virado de festas, com meninas saindo de lá chorando, aparentando ter sido estuprada pelo Gabriel”; diz trecho.
Uma ex-funcionária de Monteiro disse que ” chegou a ver várias garotas menores de idade, algumas com 15, 16 anos, na casa de Gabriel; e que, ele dizia que seriam suas ‘namoradas'”. Em outro trecho, ela afirmou que “uma garota que não se recorda o nome, teria informado que durante uma relação sexual com o Gabriel, em dado momento ele teria começado a forçar uma relação anal, mesmo pedindo para o mesmo parar”.
Um terceiro funcionário disse que Gabriel mostrava os vídeos de sexo com as menores. “Gabriel sempre intitulou-se o ‘hetero top, o comedor de mulheres’; que quase sempre Gabriel lhe mostrava vídeos de cunho sexual após ele (Gabriel), transar com mulheres, como se fosse um troféu, inclusive as  menores de idade”, aponta trecho do depoimento.
Um quarto funcionário também corroborou com o mesmo relato. Segundo ele, Monteiro costumava dizer que ‘quanto mais nova melhor’, exibindo-as como ‘troféus’. Que além (da menor do vídeo vazado nas redes sociais), outras menores tinham o hábito de frequentar a residência de Monteiro e de manterem relações sexuais com ele. “(…) geralmente as menores de idade eram fãs de Gabriel e ele se aproveitava disso para assedia-las; Que Gabriel tinha o hábito de promover “orgias” em sua residência, com mulheres tanto maiores quanto menores de idade, onde era comum o uso de drogas variadas por aquele e por suas convidada”.
Sobre drogas, o funcionário afirmou que “se recorda que tinha de tudo, maconha, “balas”, drogas que colocavam em bebidas, etc, as quais também eram consumidas por Gabriel Monteiro”.

Lucro de R$ 300 mil com Youtube e filmagens forjadas

Ainda de acordo com os depoimentos, Monteiro cobrava a produção e publicação diária de vídeos, em razão da monetização que recebia do YouTube, o que lhe renderia cerca de R$ 300 mil mensais.
Em um trecho do depoimento, um funcionário conta como os vídeos seriam manipulados. “(…) também havia diversas operações montadas para que o vereador pudesse prender em flagrante pessoas em  situação de ilícito, preparando tal flagrantes; QUE, esses flagrantes preparados ou até mesmo forjados eram filmados pela equipe do vereador e posteriormente editados para serem lançados no canal do vereador no YOUTUBE; QUE o declarante deixa claro que a sua função era investigar e que GABRIEL era sempre quem determinava as investigações, com o intuito de posteriormente poder produzir vídeos”.
Em outro trecho, o funcionário diz que muitas vezes pessoas eram constrangidas e cita o caso do coronel PM Íbis, que conseguiu indenização após Monteiro o coagir indagando como havia entrado na favela da Maré para palestrar em uma Ong. No vídeo, o vereador, que na época ainda era soldado PM, sugeriu que o oficial tinha associação com o tráfico.
“Ele sempre estava constrangendo as pessoas, de modo que atraísse a atenção do seu público e garantisse muitas visualizações. (…) “o Gabriel não ligava para a política, não tinha ideais políticos, tudo dele era focado na monetização, era produzir vídeos para ganhar dinheiro no Youtube, então as pautas eram sempre para produzir vídeos (…) o Gabriel estava sempre procurando o novo Coronel Ibis”, diz trecho.
Em outra parte, o funcionário disse que ele orientava e manipulava os vídeos. “Ele dizia assim: ‘eu quero uma criança com aspecto de pobre, unha grande, negra’; aí tínhamos que ir para a rua e encontrar a criança, mandar a foto para ele avaliar. Aí o Gabriel montava toda a história para filmar e depois publicar os vídeos no Youtube”.

Trabalho com Gabriel: fome, assédio, abusos de carga horária

Ainda nos depoimentos, os funcionários afirmaram que a jornada de trabalho com Monteiro era exaustiva, cercada por humilhações e até de assédio sexual. Em algumas ocasiões, o vereador mandava mulheres realizarem sexo oral nele em reuniões de trabalho.
Um dos funcionários afirmou que eles não frequentavam a Câmara do Rio, apesar de serem contratados com salários públicos, que passavam de R$10 mil. “A base de trabalho era a casa do Gabriel Monteiro, no condomínio Mansões, chamada de “QG”. (…) Que todos os funcionários ficavam ali, trabalhando todos os canais, como “tiktok”, youtube, twitter, instagram, facebook, etc”.
Outro relatou que era  extremamente exaustivo trabalhar para o vereador, inclusive com restrição de alimentação.
“Não há nenhum respeito a horário, descanso, pausa para alimentação, dentre outros direitos; QUE o declarante e outros funcionários geralmente possuem horário para iniciar os trabalhos e que Gabriel não os autoriza sequer almoçar  embora exija de seus funcionários uma dedicação fora dos parâmetros normais, ele mesmo tinha o direito de se alimentar, sendo comum Gabriel os convocarem para reuniões e ficar comendo na frente de todos, famintos, sem lhes dar o mesmo direito”, diz trecho do documento.
As humilhações também seriam constantes, assim como o assédio sexual. Um dos funcionários, um homem, disse que Monteiro assediava sexualmente o declarante, pedindo a ele que lhe mostrasse o pênis, dizendo que, caso fizesse, receberia uma folga no trabalho. No mesmo relato, ele diz que Monteiro tinha o hábito de mostrar o pênis ao declarante, se masturbar perto dele, e não se preocuparia se aquilo o constrangia. “Ele vivia jogando na nossa cara que nos pagava muito bem, então achava que podia fazer tudo, era extremamente desconfortável para mim, sou homem, hétero”.
Um ex-funcionário afirmou que “além dos assédios morais, também era assediado sexualmente por Gabriel, passando com frequência por situações extremamente desconfortáveis e humilhantes; que Gabriel se masturbava na frente dele (declarante) e de xxxx, chamava mulheres para ficar no mesmo ambiente praticando sexo oral nele, bem como pedia ao declarante e xxxx que também o acariciasse corpo, incluindo na genitália dele (Gabriel), o que não faziam, apesar da insistência”.
O vereador nega as acusações e atualmente é alvo do Conselho de Ética da Câmara, em processo que pode ter o mandato cassado.
Nesta quinta-feira, dia 7, uma operação de busca e apreensão foi realizada em endereços ligados ao parlamentar.