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Kwai e TikTok viralizam vídeos de fake news de fraude eleitoral e até 'recomendam' material 13

Kwai e TikTok viralizam vídeos de fake news de fraude eleitoral e até ‘recomendam’ material

“Isso é fraude eleitoral”. Um vídeo com essa frase estampada em que a pessoa diz que pode mostrar “matematicamente” que a eleição do último domingo (2) teria sido adulterada recebeu 4 milhões de visualizações no TikTok.

No Kwai, três perfis sozinhos alcançaram 8,4 milhões de visualizações, de domingo a terça (4), com 16 vídeos que também faziam alegações infundadas de fraude no primeiro turno, segundo levantamento da Folha.

Uma dessas contas usa a vinheta do plantão da TV Globo no começo de quase todos os seus conteúdos. Um dos que traziam uma suposta denúncia de manipulação foi visto ao menos 1,6 milhão de vezes e trazia um vídeo de 2018 com dois policiais e que foi alvo de checagem à época.

Os vídeos podem ser facilmente baixados e compartilhados em aplicativos de mensagem, com a marca d’água das empresas. Segundo dados da Palver, empresa que monitora 15 mil grupos de WhatsApp, entre os 10 vídeos sobre fraude eleitoral que mais viralizaram entre o dia 2 e 6 de outubro, 4 eram do TikTok.

Também a descoberta de mais conteúdo desinformativo sobre o tema está sendo recomendada por ambas as plataformas por meio da busca e de hashtags, conforme observado pela reportagem ao utilizar ambas.

Ao buscar por “fraude” no TikTok, por exemplo, o app chegou a sugerir buscas como “fraude nas urnas 2022”, “fraude nas eleições” e “fraude nas urnas pt”. Escolhida uma das opções, em meio a diversos vídeos com alegações infundadas, o app ainda mostrava oito caixinhas com mais sugestões de pesquisas similares, como “vazou fraude eleições” e “exército descobrem fraude nas urnas”.

No Kwai também ocorreu a sugestão de autocompletar no campo da busca. Ao digitar apenas “fraude”, a primeira sugestão foi “fraude nas urnas eletrônicas 2022”. Já para o termo “urna”, apareceram opções como “urnas eletrônicas, é possível fraudar” e “urnas eletrônicas fraudadas”.

Para Francisco Brito Cruz, diretor do InternetLab, as plataformas deveriam ser mais cautelosas com o que recomendam, mas não deveriam, por exemplo, impossibilitar que uma busca seja feita. “Se você recomendar, dá mais oxigênio para determinados tipos de narrativas ou enquadramentos que são danosos e problemáticos”, diz ele, que aponta que hashtags também são um mecanismo de recomendação.

Se um usuário abrir um vídeo contendo a hashtag “#fraudenasurnas” na legenda, por exemplo, e clicar nela, ele é levado para um conjunto de outros vídeos. No TikTok, apenas essa hashtag somava 7,7 milhões de visualizações segundo o próprio aplicativo. No Kwai, 1,4 milhão.

A reportagem não analisou todos os vídeos, mas vários deles continham desinformação sem qualquer alerta ou contexto. Uma das hashtags vistas com mais frequência nas postagens foi a genérica “fraude”.

Consta na políticas do TikTok que termos associados “a desinformação acerca de fraude eleitoral” são um dos itens em que resultados de pesquisas e hashtags são direcionados às diretrizes da comunidade.

A Folha enviou links de parte dos vídeos encontrados, em especial os que tiveram maior engajamento, para as duas plataformas.

Os cinco links encaminhados ao TikTok foram retirados do ar. A empresa afirmou que trabalha com agências parceiras para verificar informações da plataforma e que proíbe e remove “informações falsas sobre processos cívicos e outras violações” de suas regras. “Nós levamos extremamente a sério a responsabilidade que temos em proteger a integridade da plataforma e das eleições.”

Depois do contato da reportagem, ao digitar a palavra “fraude”, não aparecia mais nenhuma sugestão. Até a busca do termo fraude isoladamente –que pode envolver outros assuntos– deixou de ser possível. Agora aparece a mensagem: “Essa frase pode estar associada com comportamento ou conteúdo que viola nossas diretrizes”.

Por outro lado, ao digitar apenas a palavra “urna”, seguiram aparecendo recomendações de buscas como “urnas adulteradas 2022” e “urnas roubando votos”. Além disso, hashtags relacionadas a supostas irregularidades nas urnas seguem sendo acessíveis para os usuários por meio dos vídeos que as utilizam.

O Kwai afirmou que “não tolera conteúdos que tenham o potencial de prejudicar o processo democrático” e que possui mecanismos de segurança que atuam 24 horas por dia “para identificar e remover o mais rápido possível conteúdos que violem ou infrinjam” as regras.

Disse ainda que os vídeos foram remetidos para verificação do parceiro de checagem de fatos e que poderiam ainda ser retirados ou rotulados. Segundo a plataforma, vídeos não verificados têm a exposição diminuída.

Os algoritmos dos apps de microvídeos são elaborados para potencializar a distribuição de conteúdos virais mesmo de usuários com poucos seguidores.

Até o fim da tarde da sexta (7), dois vídeos estavam fora do ar, dentre os 19 enviados na quarta-feira (5). Entre os que seguiam disponíveis, havia mensagens como “fraude nas urnas urgente compartilhar” e “urnas fraudadas por todo Brasil”.

Mesmo após o contato da reportagem, as buscas no Kwai seguiam recomendando buscas relacionadas a fraude nas urnas. Sobre esse ponto, a empresa disse que “os termos sugeridos em pesquisas no aplicativo se devem ao interesse no tópico pelos usuários”. A reportagem instalou o app em outros dois celulares onde o Kwai nunca tinha sido usado e a recomendação se repetiu.

Apenas um dos vídeos vistos pela reportagem no Kwai trazia aviso de checagem. “Este vídeo pode conter informações falsas ou imprecisas segundo a análise de checadores independentes”, dizia um rótulo na parte superior da tela. Entretanto, não era apresentada ao usuário nenhuma explicação: o aviso não levava a nenhum link. No TikTok, nenhum vídeo encontrado trazia checagens.

Já a rotulagem com link para informações gerais sobre as eleições foi incluída em parte relevante dos conteúdos, mas não em todos.

Para Yasmin Curzi, pesquisadora do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio, a manutenção de posts alegando fraude de modo infundado não se justifica pela liberdade de expressão. “O conteúdo desse tipo de postagem só tem a intenção de manipular o debate público”, diz.

Já postagens sobre a legitimidade de outros tipos de sistemas eleitorais, aponta ela, poderiam ser simplesmente marcadas com links para informações adicionais.

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