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Golpe do Tinder representa 60% dos sequestros registrados em São Paulo

Segundo o Departamento de Operações Policiais Estratégicas da corporação, dos 75 casos registrados em 2022, 45 são os chamados sequestros-relâmpago, enquanto os outros 30 correspondem ao tipo mais tradicional do crime, em que a vítima permanece por mais tempo sob o poder dos criminosos. O aumento da modalidade citada como mais dinâmica, segundo a Polícia Civil, está relacionado à pandemia e ao aumento nos relacionamentos digitais, que levaram as pessoas a saírem menos de casa.

Homens heterossexuais do centro expandido da capital paulista são o principal grupo visado pelos sequestradores, devido ao poder aquisitivo mais alto, mas recém-separados, viúvos e casados também são alvos de interesse. Os criminosos usam mais de 30 apps para praticar os golpes, embora Tinder e Inner Circle sejam mais utilizados por serem os mais populares em nosso país.

Os encontros são marcados em lugares públicos, mas que tenham pouca circulação de pessoas ou sejam isolados — há uma preferência por ruas e praças nos arredores dos cativeiros, em vez de shoppings ou estabelecimentos comerciais que possam ter câmeras de segurança. Além disso, o caminho é estudado de forma que os veículos usados no crime não sejam vistos por radares.

Após serem capturadas, as vítimas são ameaçadas e até torturadas para que entreguem senhas de smartphones e dados de acesso a sistemas financeiros, ficando sob o poder dos criminosos por, no máximo, 48 horas. As economias são transferidas para contas dos bandidos, que também realizam empréstimos e crediários em nome dos capturados. Segundo as autoridades, ainda não foram registrados casos de morte relacionados ao golpe no Tinder.

De acordo com a Polícia Civil, os criminosos responsáveis pelo Golpe do Tinder têm experiência com sequestros de caminhoneiros e empresas de entrega. Além disso, mulheres também fariam parte das quadrilhas como intermediárias durante as conversas, para enviar mensagens de voz e confirmar a falsa identidade do perfil. Adolescentes também serviriam como guardas dos cativeiros para onde as vítimas são levadas, em bairros como Brasilância, Taipas e Jaguaré, nas zonas norte e oeste de São Paulo.

O crime é organizado e segue padrões, o que permitiu que as autoridades paulistanas prendessem 86 pessoas acusadas de praticarem sequestros após marcarem encontros pelo Tinder. As detenções têm aumento de 91% em relação a 2019, quando foram registradas as primeiras ocorrências desse tipo, e servem como métrica para entender o crescimento dessa categoria de delito.

Como evitar ser vítimas de golpes no Tinder

O cuidado no uso de aplicativos de namoro e redes sociais é essencial para se manter seguro. Os usuários devem prestar atenção nas conversas e propostas feitas por sistemas desse tipo, seguindo com calma nos contatos e sempre tentando se certificar de que a pessoa do outro lado da tela é quem afirma ser. O contato deve ser cortado após qualquer indício de problema.

Na hora de marcar um encontro, prefira locais públicos e de ampla circulação, como bares, restaurantes, shoppings ou centros comerciais. Dados pessoais e, principalmente, financeiros, também não devem ser passados em conversas e encontros — pedidos de valores ou empréstimos, principalmente sob a alegação de custearem deslocamento ou viagem, são sinais claros de que se trata de um golpe.

A orientação da Polícia Civil é que as vítimas procurem uma delegacia o maus rapidamente possível, registrando boletim de ocorrência e contribuindo com informações que possam auxiliar as investigações. Sites como o Registrato, do Banco Central, ajudam a identificar movimentações financeiras, empréstimos e contas que tenham sido abertas pelos criminosos em nome dos atingidos por golpes desse e outros tipos.

Fonte: Extra