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Escola causa revolta ao oferecer cintas modeladoras para adolescentes

A escola Southaven Middle School, no estado do Mississipi (EUA), revoltou os pais ao enviar um comunicado se propondo a falar sobre “uma imagem corporal positiva”, mas oferecendo cintas e sutiãs modeladores para as estudantes do 8º ano.

Na circular, a instituição de ensino diz: “Nós, os conselheiros da Southaven Middle School, gostaríamos de ter a oportunidade de oferecer literatura saudável para sua filha sobre como manter uma imagem corporal positiva”.

A carta continua oferecendo às meninas “roupas modeladoras, sutiãs e outros produtos de saúde”. Na parte de baixo, há um espaço para os pais marcarem se suas filhas queriam receber os “produtos saudáveis” e informar o tamanho que elas usam.

Ao chegar ao conhecimento dos pais, o comunicado foi motivo de indignação. Entre eles, a mãe Ashley Wells publicou um desabafo nas redes sociais. O relato foi feito em uma carta, divulgada no Facebook e intitulada “Por que as meninas sofrem com a imagem corporal?”.

“Essa ‘obra-prima’ detalha como uma imagem corporal negativa é prejudicial para as meninas e, em seguida, oferece cintas modeladoras para que elas possam se ajustar melhor a uma imagem ideal. Como diabos você está promovendo uma imagem corporal positiva dizendo: ‘você está muito gorda e precisa de cintas modeladoras para parecer mais magra’?”, escreveu.

comunicado por escrito

Roupas íntimas

Em entrevista ao USA Today, Ashley compartilhou que se sentiu enfurecida ao receber o comunicado. “Eu tive que ler mais de uma vez, para ter certeza de que estava realmente lendo aquilo. Fiquei chocada, absolutamente chocada. E, honestamente, fiquei com muita raiva”.

Depois de se acalmar, a mãe conta que enviou um e-mail à direção da escola, expressando o quanto a mensagem foi inadequada.

“Vocês ofereceram cinta modeladora para minha filha de 13 anos. Se ela me implorasse para usar isso, eu diria que não. Eu ficaria preocupada se ela ao menos pedisse. Agora, descubro que vocês a estão incentivando a usar isso”, dizia uma parte do e-mail.

Em resposta, o diretor da instituição, John Sartain, explicou à mãe que a escola recebeu uma doação de sutiãs, roupas íntimas e modeladores, e que o programa foi implementado para que os itens fossem distribuídos entre as alunas que se interessassem. Porém, em função da repercussão negativa dos responsáveis, a iniciativa foi cancelada.

Diante da explicação, a visão da mãe é que o programa foi muito “mal concebido”, e que uma boa solução teria sido apenas distribuir as roupas íntimas para estudantes que não têm condição de comprá-las.

“A escola estava em posição de ajudar as meninas que precisam disso, mas apenas enviou uma carta para todas as alunas da escola dizendo ‘a imagem corporal é um problema’. Isso basicamente diz ‘nós sabemos que você não tem um corpo perfeito, então aqui está algo para ajudá-la a alterar sua aparência’”, avaliou.

Pressão estética

Em casa, ela conta que trabalha diariamente com a filha para não reforçar estereótipos ligados à percepção corporal. Na visão da mãe, “as adolescentes de hoje sofrem muito mais pressão” do que outras gerações, em função das mídias sociais e da pressão adicional de filtros do Instagram.