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Bolsonaro volta a ofender os nordestinos, os que mais o rejeitam

Pergunte a um nordestino se ele gosta que o chamem de pau de arara, cabeça chata, paraíba ou coisas do gênero. São termos depreciativos, Bolsonaro sabe disso. Mas ele insiste em usá-los.

Na sua live semanal das quintas-feiras, o presidente, que em 2018 foi derrotado no Nordeste e que ali, hoje, é o mais rejeitado dos candidatos, voltou a ofender os nordestinos.

Deve sentir enorme prazer em fazer isso. Ou não resiste a fazer uma graça sem graça. Ou então os preconceitos que alimenta são maiores do que seu instinto de sobrevivência política.

Desta vez, ao negar que tivesse revogado decretos de luto oficial, entre eles o pela morte do padre Cícero Romão Batista, disse que o estúdio de onde transmitia sua fala estava cheio de “pau de arara”.

Referiu-se ao padre como sendo “lá de Pernambuco”. Depois indagou: “É isso mesmo? De que cidade fica lá?”. E debochou: “Não sabem que cidade fica padre Cícero?”

Padre Cícero nasceu, viveu e morreu em Juazeiro do Norte, no Ceará. Nunca pôs os pés em Pernambuco. É dele em Juazeiro a terceira maior estátua do mundo esculpida em concreto.

A estátua possui 27 metros de altura. Estima-se que a cada ano seja visitada por 2,5 milhões de pessoas. Padre Cícero é venerado como santo, e o seu processo de beatificação corre no Vaticano.

O termo pau de arara remete aos caminhões usados antigamente na migração de pessoas pobres do Nordeste para outras regiões. Foi num desses caminhões que Lula migrou para São Paulo.

Em julho de 2019, Bolsonaro chamou os nordestinos de “paraíbas”. Em visita à Bahia um mês depois, a um deputado que lhe perguntou se estava virando “um cabra da peste” respondeu:

“Só está faltando crescer um pouquinho a cabeça”.

Em fevereiro de 2020, ao visitar um mercado no Guarujá, cidade do litoral paulista, encontrou uma pessoa que usava chapéu de vaqueiro. Foi sua vez de perguntar:

“O gauchão do Ceará aqui. Por que todo cearense tem cabeça grande?”.

O “Guaraná Jesus” é uma marca famosa de bebida no Nordeste, em especial no Maranhão. Em outubro de 2020, ao visitar aquele Estado e tomar um copo do guaraná, Bolsonaro disse:

“Agora virei boiola, igual maranhense”.

Boiola é sinônimo de homem homossexual, indivíduo fraco ou medroso. O “Guaraná Jesus” tem a cor rosa. Bolsonaro foi obrigado a desculpar-se.