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Bolsonaro critica linguagem neutra, e faz piada homofóbica em discurso

Em evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) promovido nesta terça-feira (7/12), o presidente Jair Bolsonaro (PL) fez um comentário de teor homofóbico em seu discurso.

“Não tem ninguém aqui com idade de ficar ouvindo conversinha quando tinha 14, 15 anos de idade quando estava apaixonado pela coleguinha da escola. Ou pelo coleguinha, quem for mulher. Se bem que hoje está um vale-tudo terrível aí, né? Mas tudo bem”, disse ele no evento, realizado em Brasília.

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, entregou ao presidente um documento com 44 propostas para a retomada da indústria e do emprego em 2022.

Os projetos são das áreas de tributação, eficiência do estado, financiamento, infraestrutura, meio ambiente, inovação, educação, comércio exterior, relações de trabalho e micro e pequenas empresas.

Linguagem neutra

Mais cedo, em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro criticou a linguagem neutra, que propõe o uso de um gênero neutro na comunicação.

“Se eu pudesse interferir, não ia ser esse tipo de Enem que está aí, de jeito nenhum. Lembra de dois ou três anos atrás, pessoal da linguagem neutra dos gays? Tenho nada contra e nem a favor, cada um faz o que bem entender com seu corpo, mas por que a linguagem neutra dos gays? O que soma para a gente numa redação?”, questionou. “Estimula a molecada a se interessar por essas coisas e, no futuro, vai estragando a garotada”, continuou.

O uso do gênero neutro na língua portuguesa é tema de projeto de leis em 19 estados brasileiros e no Distrito Federal, de acordo com levantamento feito pela Agência Diadorim. No total, 34 propostas têm por objetivo impedir a variação gramatical para além do gênero feminino e masculino.

A primeira lei aprovada foi em Rondônia, assinada pelo governador Marcos Rocha (PSL). A norma proibiu a linguagem neutra em editais de concursos públicos e no material didático e na grade curricular de instituições de ensino.

Distrito Federal, Minas Gerais, Paraíba, Espírito Santo, Santa Catarina, Pernambuco e Rio de Janeiro lideram a lista na quantidade de propostas de lei, cada unidade federativa com três. Regionalmente, o Sudeste é onde existem mais proposições (11), seguido do Nordeste (10), e do Sul e Centro-Oeste, ambos com seis. No Norte, além de Rondônia, o Amazonas discute o assunto.