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Agressor de Bolsonaro diz que há uma ‘conspiração maçônica para tomar o poder’ e que faria tudo novamente

RIO —  Em entrevistas para avaliação psiquiatra feitas a pedido da Justiça, Adélio Bispo de Oliveira, autor da facada no presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que cometeu o atentado porque o então candidato fazia parte de “uma conspiração maçônica para destruir o Brasil” e que pretende matá-lo ao sair da cadeia. Disse, ainda, que pretende fazer o mesmo com o ex-presidente Michel Temer (MDB). Segundo Adélio, Temer participaria da conspiração maçônica para conquistar as riquezas do Brasil.

“Demonstrando pouco se importar com o fato de estar encarcerado e de eventuais consequências penais ou processuais de seus atos, afirmou aos peritos que quando sair cumprirá sua missão de matar o atual Presidente da República, bem como o ex-presidente Michel Temer, que em sua visão também participaria da conspiração maçônica para conquistar as riquezas do Brasil”, escreveu o juiz da Bruno Savino, na decisão que concluiu que o agressor sofre transtorno delirante persistente, o que o torna inimputável.

Durante as entrevistas feitas pelos médicos, Adélio disse ter esfaqueado Bolsonaro por motivos de ordem religiosa e política. Quanto ao primeiro refere-se que “ouviu a voz do seu Deus que o mandou matar o candidato, pois dessa forma salvaria o Brasil”.

Sobre as motivações políticas, disse haver uma “uma conspiração da maçonaria para tomar o poder e entregar as riquezas do país ao FMI, aos maçons e à máfia italiana”. Ele afirmou, ainda, que “o governo todo está infiltrado de maçons e Bolsonaro é maçom”.

Segundo os médicos que estiveram com ele, nos meses que antecederam o atentado, o réu passou a ter revelações que somente “ele poderia salvar o Brasil desta destruição”. Disse ter ouvido a voz de Deus dizendo que ele era o “escolhido para salvar o Brasil”, por meio do atentado contra a vida do então candidato à Presidência da República.

Chamou atenção dos psiquiatras o tom de voz durante a entrevista, caracterizado como monótomo e seguro, como quem tem certeza “das verdades do que relatava”. Algumas vezes, ao ser questionado sobre alguns pontos, Adélio chegava a se exaltar e tentar explicar suas convicções de forma prolixa.

“O atentado contra o então candidato Jair Messias Bolsonaro, diretamente relacionado com a doença psicótica, integrou o ápice de uma trama delirante do réu, na qual aquele ato extremo era totalmente justificado em sua realidade paralela, em que sacrificaria a própria vida para o cumprimento de uma missão que lhe foi outorgada diretamente por Deus para salvar o Brasil da conspiração de maçons e da máfia italiana”, afirmou Savino na decisão.

As ameaças feitas a Bolsonaro e Michel Temer foram encaminhadas para o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, para ciência e adoção de medidas que entender pertinente.

Adélio não tinha contato com familiares

Durante os exames feitos na penitenciária federal de Campo Grande, os médicos afirmaram que o transtorno metal de Adélio Bispo fez com que ele não mantivesse contato com familiares. Tampouco tinha amigos, sendo frequentes os relatos de vizinhos e colegas de trabalho de que ele era uma pessoa reservada e solitária.

Nos depoimentos, Adélio disse que não manteve qualquer relacionamento afetivo nos últimos 11 anos, em cumprimento às ordens de Deus. Ainda conforme narrado, os desejos sexuais seriam controláveis, uma vez que “ele ouve a voz de Deus o proibindo de qualquer relacionamento”. A declaração corrobora com as colhidas nas investigações feitas pela Polícia Federal.

Segundo o juiz, o transtorno de Adélio o impingiram a constantes mudanças de domicílio, tendo residido em diversas cidades da Região Sul e Sudeste. Também fez com que o réu permanecesse apenas curtos períodos em seus quase 40 vínculos empregatícios. Há, ainda, várias menções ao fato de o agressor conversar sozinho, o que corroboraria a existência das alucinações auditivas mencionadas por pessoas que conviveram com ele.

Na decisão que tornou o agressor inimputável, o juiz Bruno Savino, responsável pela ação na 3ª vara da Justiça Federal de Juiz de Fora, afirma que “Adélio entrelaça em sua certeza psicótica, a um só tempo, delírios místicos-religiosos, políticos-ideológicos, persecutórios e de referência para criar uma interpretação própria e totalmente distorcida da realidade”.